De lenços e turbantes a lingerie pós-mastectomia, técnicas de costura permitem criar peças que aliam funcionalidade, conforto e expressão pessoal em uma fase de transformações físicas e emocionais
Em meio às adaptações que o tratamento do câncer de mama pode exigir, a moda também pode assumir novas funções. Mais do que vestir, roupas e acessórios podem ser pensados para atender a necessidades específicas, proporcionar conforto e preservar a liberdade de expressão de cada mulher. Nesse cenário, a costura surge como uma possibilidade de unir criatividade e funcionalidade, permitindo desenvolver peças que respeitem diferentes momentos e experiências.
No Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre o câncer de mama, esse olhar também abre espaço para discutir como o vestuário pode acompanhar as necessidades das mulheres durante e após o tratamento. A confecção de lenços e turbantes, por exemplo, permite explorar cores, estampas e amarrações como formas de expressão pessoal para quem enfrenta a queda dos cabelos durante a quimioterapia. Já a lingerie adaptada para o pós-mastectomia, com recursos como bolsos para próteses externas e fechamentos funcionais, evidencia a importância de pensar a moda a partir das necessidades de cada corpo.
Para a professora Elizângela Gomes, da Sigbol, Escola de Moda e Costura, esse olhar amplia a compreensão sobre o papel da costura na vida cotidiana. “É nesse encontro entre técnica, criatividade e funcionalidade que a costura pode assumir um papel especial. Escolher um tecido, desenvolver uma peça ou adaptar uma roupa às próprias necessidades são experiências que podem favorecer a autonomia e a expressão individual em um período de tantas transformações. A proposta não é romantizar o tratamento, mas reconhecer que o cuidado com a autoestima também merece espaço nessa jornada”, ressalta a professora.
Na Sigbol, o conhecimento em modelagem e confecção permite explorar soluções que considerem diferentes corpos, necessidades e momentos de vida, mostrando que a moda pode ir além das tendências e dialogar com questões práticas e pessoais.
Outras peças também podem fazer parte desse cuidado. Quimonos e robes, com tecidos leves e modelagens confortáveis, oferecem alternativas práticas para o dia a dia. Almofadas de apoio confeccionadas em tecido, por sua vez, podem ser pensadas para proporcionar conforto durante a recuperação pós-cirúrgica, desde que respeitadas as necessidades individuais e as orientações da equipe de saúde.
A criação de peças personalizadas pode ser uma maneira de aproximar o conhecimento técnico das necessidades reais das mulheres. “A costura nos permite olhar para uma peça não apenas pelo seu formato ou pela tendência, mas também pelo que ela representa para quem a veste. Quando pensamos em lenços, turbantes, roupas adaptadas e peças de apoio, estamos falando de possibilidades de expressão, conforto e autonomia. Cada mulher vive esse processo de uma maneira, e a moda pode abrir espaço para que ela se reconheça e encontre formas de se sentir representada”, afirma Elizâgela.
A iniciativa reforça que a autoestima não tem uma única forma de expressão. Para algumas mulheres, ela também pode estar nos detalhes: em um tecido escolhido com carinho, em um acessório criado com as próprias mãos ou em uma peça pensada para oferecer mais conforto em uma nova fase da vida.
Ao trazer a costura para a conversa sobre o Outubro Rosa, a Sigbol propõe ampliar o olhar sobre o universo da moda e suas aplicações práticas. Mais do que acompanhar tendências, criar e adaptar peças pode ser uma forma de reconhecer as particularidades de cada mulher e valorizar suas escolhas, sem estabelecer padrões sobre como ela deve se sentir ou vivenciar o tratamento.













